A Fúria das Coisas Rubras

A Fúria das Coisas Rubras

Não venha atrás de mansidão e paz de espírito. Não é aqui que você encontrará o conforto das máscaras mais convenientes. Apenas tenha coragem, aqui. Sim, foi através dos poemas de Amália Morgado que fui colocado diante da própria toxicidade démodé de um macho cis latino de meia idade, totalmente anacrônico, e em inevitáveis vias de extinção. Apenas leia. Tudo. Essas linhas não são à toa, elas são, cada uma delas, cicatrizes “violáceas, ora violentas, ora violetas”.
Somente sob a “Fúria das coisas rubras”, lugar de poemas líquidos, vítreos, mordazes, e com cortes surpreendentemente afiados da realidade íntima feminina descerrada (e não apenas feminina, diga-se de passagem... surpreenda-se!), que você estará diante de seus próprios nós cegos, encarnados, mas travestidos de laços de fita. Suas poesias são como rosas de um carmim magnético que cheiram a sangue, e também memória.
Amália Morgado não pede licença ao apresentar uma coletânea de poemas totalmente nus, providos de cor, cheiro e gosto. A Fúria das Coisas Rubras é um banquete antropofágico que Amália Morgado faz de suas próprias memórias, um desafio sensorial que nos obriga a revisitarmos profundamente as próprias vísceras até encontramos... pérolas. Talvez... mas rubras, vermelhas e retintas! Apenas tenha coragem, aqui.
Alexandre Meira – Escritor

    R$ 38,90Preço